15 de junho de 2026

Por que a ambidestria é uma competência obrigatória para as lideranças?

Fazer Limonada significa transformar desafios em oportunidades. Isso exige líderes capazes de manter o negócio funcionando hoje enquanto constroem o que a empresa precisará ser amanhã — a ambidestria.

4 min de leituraPor Eduardo Albuquerque

Sem uma liderança ambidestra, não dá para fazer Limonada. Fazer Limonada significa transformar desafios em oportunidades de crescimento. Mas isso não acontece por acaso. Exige líderes capazes de manter o negócio funcionando hoje enquanto constroem o que a empresa precisará ser amanhã.

Essa capacidade de equilibrar execução e transformação tem nome: ambidestria. Ela deixou de ser um diferencial para se tornar uma competência indispensável. Empresas que não desenvolvem lideranças ambidestras correm o risco de responder bem ao presente, mas chegar atrasadas ao futuro.

O mundo mudou. A liderança também precisa mudar.

O mundo não vai desacelerar. Pelo contrário. As transformações acontecem em uma velocidade que provoca desconforto em praticamente todos nós, principalmente nas pessoas que hoje ocupam posições de liderança. Boa parte desses profissionais iniciou sua carreira em um contexto muito diferente do atual, onde mudanças levavam anos para acontecer e os ciclos de planejamento eram mais previsíveis. Hoje, esse cenário não existe mais. Liderar passou a exigir a capacidade de responder ao presente enquanto se prepara para o que ainda está por vir.

Três movimentos que já estão transformando as organizações

Algumas mudanças não afetam apenas um setor. Elas atravessam mercados, mudam modelos de negócio e obrigam empresas a rever suas estratégias.

Transição energética

A transição energética é um dos principais exemplos. Segundo o relatório BloombergNEF's Energy Transition Investment Trends 2024, o Brasil investiu US$ 34,8 bilhões nesse processo apenas em 2023. O país já é reconhecido como um dos protagonistas globais desse movimento.

Não se trata apenas do setor de energia. Transportes, indústria, mineração, construção civil, setor automotivo e diversos outros segmentos já sentem os impactos dessa transformação. Empresas que não compreenderem esse movimento correm o risco de perder competitividade.

Integração entre gerações

Outra transformação acontece dentro das próprias organizações. Segundo a Harvard Business Review, mais de 80% das lideranças consideram a diversidade geracional um fator importante para o futuro das empresas. O desafio não está apenas em atrair novos talentos, mas em construir ambientes onde diferentes gerações consigam trabalhar juntas. Isso exige rever modelos de trabalho, benefícios, políticas de flexibilidade, formas de comunicação e estilos de liderança.

Tecnologias disruptivas

Inteligência artificial, blockchain, computação em nuvem, internet das coisas e segurança cibernética já fazem parte das discussões estratégicas das empresas. Independentemente do setor, essas tecnologias influenciam decisões de negócio, produtividade e relacionamento com clientes. O ponto não é que toda liderança precise dominar esses temas tecnicamente. Mas é difícil discutir o futuro de uma organização sem repertório suficiente para participar dessas conversas.

O que essas mudanças têm em comum?

Todas exigem uma liderança capaz de fazer dois movimentos ao mesmo tempo: executar a estratégia atual e construir a estratégia que manterá a empresa relevante nos próximos anos. É exatamente essa capacidade que define a ambidestria.

Afinal, o que é ambidestria?

Em 2004, Charles O'Reilly III e Michael Tushman publicaram o artigo The Ambidextrous Organization, no qual defendem que organizações precisam equilibrar dois movimentos simultaneamente. O primeiro é explorar o que já funciona, buscando eficiência, melhorias contínuas e resultados no curto prazo. O segundo é experimentar novos caminhos, criando produtos, processos e modelos de negócio capazes de sustentar o crescimento no futuro.

Segundo os autores, organizações ambidestras apresentam desempenho superior justamente porque conseguem manter esses dois movimentos em equilíbrio. O maior desafio está na liderança. É ela quem precisa integrar estruturas, culturas, processos e prioridades que muitas vezes parecem competir entre si.

Competências de uma liderança ambidestra

Melhorar o presente sem perder o futuro de vista

Lideranças ambidestras trabalham continuamente para melhorar produtos, processos e serviços. Ao mesmo tempo, reservam espaço para experimentar novas soluções e questionar modelos que hoje parecem funcionar. Eficiência e inovação deixam de ser escolhas excludentes. Passam a fazer parte da mesma estratégia.

Aprender continuamente

Nenhuma empresa permanece competitiva aprendendo na mesma velocidade de ontem. Por isso, desenvolver novas competências deixa de ser responsabilidade exclusiva das pessoas e passa a fazer parte da agenda da liderança. Aprender continuamente significa ampliar repertório, testar novas abordagens e preparar a organização para desafios que ainda nem existem.

Nesse contexto, ferramentas como o modelo VRIO ajudam a refletir sobre uma questão importante: os recursos que tornam uma empresa competitiva hoje continuarão sendo os mesmos daqui a cinco anos? Responder essa pergunta é parte do trabalho de uma liderança ambidestra.

O papel do RH nessa transformação

Desenvolver lideranças ambidestras não acontece por acaso. O RH tem um papel decisivo nesse processo. Mais do que apoiar treinamentos, precisa atuar como parceiro da estratégia, criando experiências de desenvolvimento que ampliem repertório, fortaleçam a capacidade de adaptação e preparem líderes para lidar com mudanças cada vez mais frequentes.

Formar lideranças capazes de equilibrar execução e transformação talvez seja um dos maiores desafios das organizações nos próximos anos. E também uma das maiores oportunidades.

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